A informação veiculada em quadros e gráficos estatísticos é imensa e multivariada. Geralmente, fazem-se análises particulares segundo o ângulo que ao observador interessa mais, que noutros momentos, pode ser muito diferente. Assim, creio que o disponibilizarem-se quadros e gráficos estatísticos aos estudiosos é muito importante e que, num blogue, permite que se faça debate das interpretações e análises que cada observador faz dos dados apresentados.

domingo, 25 de maio de 2008

Sinistralidade

A segurança rodoviária tem sido, nos últimos anos, uma prioridade
nacional e uma constante preocupação de todos os Estados Membros da
União Europeia.

O número de acidentes de viação tem diminuído nos últimos anos em
Portugal, apesar de ainda se registarem muitas vítimas mortais e
feridos graves nas nossas estradas.

Veja-se a este propósito o ano de 2007 que, de acordo com dados
provisórios apresentados pelas entidades responsáveis, morreram em
Portugal Continental 858 pessoas em resultado de acidentes de viação,
havendo ainda a registar 3090 feridos graves e 42.631 feridos leves.

Na verdade, e não obstante o acréscimo de automóveis a circular nas
nossas estradas e o aumento do número de condutores em Portugal que, de
acordo com os últimos dados disponíveis, apresentou um crescimento
médio anual de 4,2 %, a redução de sinistralidade é, efectivamente, um
facto notório e indiscutível em Portugal.



Nesta conjuntura de redução de sinistralidade e do aumento de
condutores em Portugal é importante destacar o aumento do número de
condutores do sexo feminino.

Neste contexto, é inquestionável o papel cada vez mais preponderante
dos condutores do sexo feminino em ambiente rodoviário, e uma conclusão
facilmente se retira: enquanto o número de mulheres habilitadas a
conduzir é cada vez mais elevado, como facilmente se constata do último
relatório do Observatório de Segurança Rodoviária datado de Março de
2007, a sinistralidade rodoviária tem vindo a diminuir em Portugal.

Este dado é, sem dúvida, muito importante e merece um estudo e
reflexão aprofundado e que, desde logo, contraria a opinião, de muitos,
sobre as aptidões femininas para conduzir ou, quanto mais não seja, no
modo como encaram a tarefa e a responsabilidade de conduzir um veículo
a motor na via pública.

Veja-se, a este propósito, o seguinte quadro extraído do relatório
anual de estatística de 2006 da ANSR-Autoridade Nacional de Segurança
Rodoviária, onde se verifica que as mulheres representam cerca de 37%
dos condutores em Portugal, com um crescimento médio anual de 5,4 %,
tendo os condutores do sexo masculino registado um crescimento de 3,5 %.


Assim, se analisarmos e compararmos este crescimento com o fenómeno da
sinistralidade rodoviária, verificamos que foram os condutores do sexo
feminino quem menos intervieram em acidentes de viação.


Por exemplo no ano de 2006 intervieram em acidentes de viação 13.617
condutores do sexo feminino contra 42.209 do sexo masculino.

Mas não se pense que tal facto é essencialmente devido ao número mais elevado de condutores do sexo masculino.

Na verdade, observando o seguinte quadro, verificamos que a percentagem
mais elevada de condutores em Portugal situa-se entre os 25 e os 44
anos de idade sendo, curiosamente, neste período etário que a
percentagem de homens e mulheres habilitadas a conduzir é muito
próxima: os condutores do sexo masculino com uma percentagem de 55,9 %
e do sexo feminino com 44,1 %.

Não obstante tal proximidade
em termos percentuais, a verdade é que, em 2006, dos 57.433 condutores
intervenientes em acidentes de viação apenas 13.617 foram do sexo
feminino.


Esta diferença acaba por se reflectir nos números de vítimas mortais e
de feridos graves do sexo feminino e do sexo masculino. No caso das
vítimas mortais a disparidade ainda é maior, de totais de 39 mulheres
para 507 homens em 2006, como se pode ver no quadro seguinte.


Em síntese, os condutores masculinos envolvem-se em mais acidentes do
que as condutoras mulheres, mesmo tendo em conta o número de condutores
homens e mulheres. Esta diferença é ainda mais acentuada quando se
contabilizam as vítimas mortais entre os condutores, por género. O que
indicia uma menor propensão para comportamentos de elevado risco pelas
mulheres, como velocidades muito elevadas, manobras perigosas, etc.

Se esse comportamento é motivado apenas por diferenças culturais e
pelos papeis sociais tradicionalmente atribuídos ou se também faz parte
das características intrínsecas do homem e da mulher é uma discussão
que fica em aberto.

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