A informação veiculada em quadros e gráficos estatísticos é imensa e multivariada. Geralmente, fazem-se análises particulares segundo o ângulo que ao observador interessa mais, que noutros momentos, pode ser muito diferente. Assim, creio que o disponibilizarem-se quadros e gráficos estatísticos aos estudiosos é muito importante e que, num blogue, permite que se faça debate das interpretações e análises que cada observador faz dos dados apresentados.

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Anti-Clausewitz ou o elogio da derrota

via Caminhos da Memória by Caminhos da Memória on 9/16/08

Um texto de José Pedro Barreto (*)
Adaptação de texto original publicado na revista Egoísta de 9 de Dezembro de 2001

O filme passou em Portugal com o título de 0 Rato Que Ruge. Era uma daquelas deliciosas comédias inglesas dos anos 50, com o impagável Peter Sellers. Contava a história de um minúsculo principado imaginário da Europa, que vivia confortavelmente da exportação da sua única riqueza, o vinho. Até que um dia deu uma qualquer maleita nas videiras e tudo se perdeu. Ante a perspectiva de uma completa bancarrota, alguém teve uma ideia genial: que tal declarar guerra aos Estados Unidos? É que, sendo a derrota óbvia, os americanos tomariam conta dos vencidos e haviam de ajudá-los copiosamente, com programas à maneira do Plano Marshall. 0 futuro ficaria garantido. Dito e feito: o governo do principado compra passagens num cargueiro rumo a Nova Iorque e nele envia a fina flor das suas Forças Armadas - um punhado de valentes munidos de lanças, cotas de malha e ordens para se renderem ao primeiro cidadão que encontrassem, mal invadissem a América.

Mas, no dia da chegada, um exercício de alarme em Nova Iorque levara toda a gente para os abrigos antinucleares. Quando a valorosa força desembarca encontra a cidade deserta - aparentemente porque os americanos fugiram espavoridos. 0 que a leva a conceber a perspectiva acabrunhante de estar a ganhar a guerra. O resto do filme é uma sucessão de coincidências hilariantes - incluindo a posse inadvertida de uma bomba atómica verdadeira pelos invasores - que tornam cada vez mais difícil atingir o objectivo da operação e acentuam os riscos de uma desastrosa vitória militar sobre os Estados Unidos.

O filme é, claro, uma paródia aos temas da época. Mas o enredo não é tão disparatado como parece. A guerra é muitas vezes a solução para os problemas de um país, e o senso comum diz-nos que o resultado ideal de uma guerra é a vitória para as nossas cores. Nada mais errado. A vitória conforta a alma e os anseios de glória - mas uma guerra só vale mesmo a pena se for perdida. A História está recheada de exemplos de vencidos que, por o serem, ficam em melhor estado do que antes - e até, por vezes, melhor que os vencedores; e também de vencedores arruinados pelas suas vitórias. Por isso, o objectivo supremo de toda a estratégia e de toda a política externa que se prezem deveria ser a obtenção de um sólido, completo e fecundo desastre militar.

A vitória é, o mais das vezes, um fardo muito difícil de suportar e uma consequência caríssima para quem a obtém, já que este tem de assumir todas as responsabilidades e encarregar-se do vencido, manter custosos dispositivos de ocupação e policiamento do seu território, alimentá-lo, ajudá-lo a reerguer-se. A derrota é o fim dos problemas e das obrigações, é a simpatia, a compreensão e a piedade gerais, é a protecção pelas leis internacionais e os apoios de toda a espécie.

Veja-se o caso dos grandes vencidos da II Guerra Mundial, Japão e Alemanha. Ambos tiveram o cuidado de arrastar os Estados Unidos para o conflito, o que seria estúpido e tecnicamente evitável se o seu objective fosse ganhá-lo. Poucos anos depois da derrota, lançavam-se imparavelmente a caminho da prosperidade, e hoje são das primeiras potências económicas do planeta, face ao continuado declínio dos vencedores Grã-Bretanha e França. A Itália, estouvadamente, ainda tentou nos últimos momentos passar para o lado dos vencedores, mas conseguiu ainda obter muitos dos benefícios da derrota.

O caso japonês é paradigmático. Antes da guerra, o Japão era uma mistura de sociedade feudal e economia moderna, um monstro que se devoraria a si próprio se tivesse ganho. Derrotado, foi tomado por conta dos Estados Unidos e proibido de voltar a fazer a guerra, o que lhe valeu uma fortuna. Parte importante da força económica japonesa ficou a dever-se ao dinheiro que poupou num exército.

O caso alemão não é muito diferente. Já no final da I Guerra os Aliados cometeram o disparate de impôr uma derrota à Alemanha, limitando-lhe a capacidade militar e exigindo-lhe pesadas reparações. A exigência de cumprir os pagamentos mobilizou a indústria alemã, e arruinou as dos aliados - sobretudo, a da França, inundada de concorrência barata. Mas a derrota fora imposta por um armistício, e não por um desastre militar. Era preciso, de uma vez por todas, matar o monstro sedento da vã glória de ganhar. Por isso a Alemanha teve o tacto de provocar outra guerra que a arrastasse para a catástrofe total.

«Atribui tanta importância a ganhar guerras! 0 verdadeiro truque consiste em perdê-las, em saber quais se podem perder», diz um personagem (italiano) de Joseph Heller em Catch 22.

«A Itália tem estado a perder guerras ao longo dos séculos e, apesar disso, veja como se aguenta maravilhosamente. A França ganha-as e mantém-se em crise permanente. A Alemanha perde-as e prospera. Repare na nossa história recente. A Itália ganhou uma guerra na Etiópia e não tardou a embrenhar-se em problemas graves. A vitória incutiu-nos complexos de grandeza insensatos, o que nos entusiasmou a provocar uma guerra mundial que não tínhamos a mínima hipótese de vencer. Agora que voltamos a perder, tudo se encaminha pelo melhor e acabaremos de novo na mó de cima, se conseguirmos ser derrotados.»

O historiador militar B.H. Liddell Hart faz notar que

«a História mostra que as vantagens de uma vitória militar não são equivalentes aos que se obtêm pela política. Mas, sendo os teóricos que reflectiram sobre o fenómeno da guerra na sua maior parte militares de carreira, resultou daí uma tendência natural para confundir o objectivo fundamental da nação com o dos militares» (Strategy: The Indirect Approach).

O problema está, portanto, em convencer os profissionais treinados para a vitória de que esta não é necessariamente o melhor resultado para a nação.

Pelo contrário. Da Antiguidade aos nossos dias, as virtudes do desaire na vida dos povos estão bem ilustradas. Já Horácio cantava os gregos submetidos que «fizeram um escravo do seu conquistador romano». Aos que o felicitavam pela sua vitória contra os romanos, o rei Pirro respondia: «Sim, mas se obtivermos outra vitória, seremos destruídos!». Não há povo mais vencido do que os judeus, que se fortaleceram de cativeiro em cativeiro, de pogrom em pogrom, sobrevivendo a todos os impérios que os perseguiram até conseguirem um estado pago pelo Tesouro dos Estados Unidos. 0 problema foi quando começaram a ganhar guerras, a conquistar territórios. Hoje, perante a antipatia de boa parte do mundo, sofrem cada vez mais sob o peso das suas vitórias.

Os vietnamitas ganharam a guerra com os Estados Unidos. Mas ninguém dirá que ficaram melhor do que os americanos. 0 mesmo aconteceu nas guerras que Portugal travou este século (e perdeu) nos territórios africanos. A derrota abriu-nos o caminho da democracia, da integração europeia e da torneira comunitária, enquanto a vitória atirava Angola, Guiné e Moçambique para a miséria e o caos.

Mesmo do ponto de vista puramente militar, a vitória é muitas vezes mais custosa do que a derrota. Os vietnamitas tiveram perdas muitíssimo superiores às dos americanos. Já os franceses tinham sido batidos com menos baixas do que o Vietminh, e os movimentos de libertação africanos sofreram mais mortos do que os portugueses.

Em muitas das grandes batalhas da História, o maior número de baixas coube aos vencedores - pelo menos no que respeita a mortos. Um bom exemplo é o das guerras napoleónicas: entre 1807 e 1913, Napoleão travou oito batalhas vitoriosas e, em sete delas, teve mais mortos do que o inimigo, segundo as estatísticas oficiais. Numa delas (Bantzen) teve praticamente o dobro - 21 mil contra 11 mil. Só na primeira (Eylau) teve menos. Porém, na sua primeira derrota (Leipzig), perdeu 50 mil homens, e os inimigos 75 mil, tendência que se manteve até Waterloo.

A URSS reivindicou para si a glória de ter ganho a II Guerra, mas sofreu 20 milhões de mortos - muitos mais do que a Alemanha vencida. Em números globais, os Aliados tiveram oficialmente 36 236 276 mortos, enquanto o Eixo sofreu 14 500 000. Na I Guerra, a situação fôra semelhante: o conjunto dos países vencedores sofreu 4 milhões e 800 mil mortos, contra 2 milhões e 650 mil dos vencidos Alemanha, Áustria e Turquia.

Clausewitz definiu a guerra como «um acto de violência destinado a obrigar o adversário a executar a nossa vontade». No fundo, a definição permanece válida, se a nossa vontade for a de, inteligentemente, a perdermos.

(*) Biografia de José Pedro Barreto


domingo, 28 de setembro de 2008

Google Maps UK Adds Traffic Information

via Google Blogoscoped by Tony Ruscoe on 9/26/08

Google Maps UK has finally added live traffic data to the major roads in England*. As with other areas in Google Maps that have traffic data enabled, you can also let Google predict what the traffic situation will be like on any day at a specific time.

In other Google Maps news, NYC has just got Google Transit directions, which allows users to plan their public transportation routes online. You can visit the Google Transit site to see which other cities also have this functionality.

[Thanks Peter!]

*It seems this isn't available for Northern Ireland, Scotland or Wales yet.

[By Tony Ruscoe | Origin: Google Maps UK Adds Traffic Information | Comments]


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24 Hour Air Traffic Around the World Blows Minds, Eyeballs [Airplanes]

via Gizmodo on 9/28/08

Here's a video displaying all commercial air traffic in the world during a 24-hour period. Seriously, I'm moving to New York City tomorrow and seeing the flight density in this computer simulation scares me a bit. Thankfully, it's a big planet with plenty of space to fly. But then, pilot friends tell me that sometimes they get close enough to wave at each other, so maybe it's not as big as to accommodate the 7.4 billion passengers that will travel by air in 2020. [Zhaw via Dark Roasted Blend]

sábado, 23 de agosto de 2008

July Top Services: Facebook, Google, and MySpace

via AddThis Blog by addthis on 8/11/08

We looked at our large amount of bookmarking/sharing data for the month of July. Here are the results. The top services are Facebook, Google Bookmarks, and MySpace … followed by Live, Delicious, and Digg.

Google Bookmarks has enjoyed first position for a long time, but now Facebook is suddenly taking over. We will be sure to check this data again next month, to see if this trend is continuing … this space is changing fast.

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

See what the world is searching for

via The Idée Blog by Leila Boujnane on 8/7/08

Inside Google Insights for Search: some awesome data on search term traffic. If you have not dropped by: don't during working hours, you will have a hard time prying yourself from your screen. Here is a an example chart for cloud computing:

Interest over time:

By region:

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

Imprensa gratuita: quadro da circulação em Portugal

via Certamente! by Paulo Querido on 8/6/08

O artigo que escrevi para o Público sobre a imprensa gratuita está agendado para sair no próximo sábado, dia 9, no P2. já fiz o respectivo lançamento na semana passada, num post intitulado Jornais gratuitos: artigo no Público com mashup de lançamento aqui, onde apresentei também um mashup em que usei alguma da informação recolhida para a peça no Público, nomeadamente sobre os cinco principais jornais gratuitos com distribuição em Portugal.
Ao longo dos dias tenho vindo a melhorar o mashup, que está agora perto da versão definitiva. A última entrada foi um quadro com a circulação dos gratuitos em Portugal, segundo os últimos números:

Actualmente o mashup apresenta as capas das últimas edições de cada jornal num carousel, com informação lateral sobre cada título, uma recolha das últimas notícias (nos casos em que há feed RSS), os links para os respectivos sites, atalhos para puxar cada edição em PDF (nos casos em que é possível, que são a maioria) e ainda uma imagem da capa com maior detalhe.
O mashup escaparate: jornais gratuitos de hoje fora pensado inicialmente apenas para a função de lançar o artigo a sair no P2 — mas acabei por ir adicionando features e melhorando-o, pelo que o manterei como um micro-projecto do C!. Estou agora na expectativa de ver até que ponto ele gera interesse entre os leitores.

Os 10 idiomas mais falados do mundo

via English Experts by Alessandro on 8/5/08

Os 10 idiomas mais falados do mundoExistem atualmente aproximadamente 6.912 idiomas no mundo, falados por mais de 6.6 bilhões de pessoas. Ao contrário do que muitos pensam o inglês não é o mais falado, ele está apenas na 4ª colocação e perde para o Chinês, o Hindi e o Espanhol. O que me surpreendeu é que o nosso querido Português está em 6º.

Veja a lista completa publicada pelo site LexioPhiles:

1 - Chinese -> 1,210,000,000
2 - Hindi -> 487,000,000
3 - Spanish -> 358,000,000
4 - English -> 341,000,000
5 - Arabic -> 320,000,000
6 - Portuguese -> 250,000,000
7 - Bengali -> 207,000,000
8 - Russian -> 160,000,000
9 - Japanese -> 125,000,000
10 - German -> 100,000,000

Lembro que os números acima levam em consideração apenas falantes nativos, ou seja, pessoas que falam o idioma como primeira língua.

See you!

Livro indicado: Como Entender o Inglês Falado [compre aqui]